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UMA VISÃO ORTODOXA DE EDUCAÇÃO CRISTÃ NOS CHRISTIAN HALLS

Dr. NIcholas J. Ellis Dr. Mark A. Ellis

Dr. NIcholas J. Ellis Dr. Mark A. Ellis

1 Maio, 2020

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Ao lançarmos o que esperamos ser um movimento de renovação cultural da educação centrada em Cristo, esperando que possamos contribuir para tal movimento por meio da fundação dos Christian Halls no Brasil, não é apenas inevitável, mas também certo que as pessoas sondem nossa tradição teológica, perguntando o que cremos e os limites tanto de nossa comunhão quanto de nosso envolvimento com os cristãos em geral. Isso é especialmente importante, no contexto em que a visão de uma educação interdisciplinar ampla é valorizada e apoiada sob os olhos da ortodoxia cristã histórica. Quais são, então, nossos limites teológicos dentro dos Christian Hall?

Em primeiro lugar, estamos comprometidos com a fé cristã histórica. Ao mesmo tempo, estamos atentos à tendência sempre presente entre pessoas fiéis, piedosas e biblicamente orientadas a classificar e promover divisão. A essência do cristianismo apostólico pode ser encontrada em instrumentos doutrinários clássicos e históricos, como o Credo Apostólico, o Credo Niceno ou mesmo as cinco solas da Reforma. Há um fundamento histórico inegável de crenças comuns que tornam um movimento verdadeiramente cristão. É igualmente inegável que todo movimento evangélico tem suas próprias ideias teológicas e peculiares. Crenças peculiares podem incluir o perfeccionismo do Metodismo, os cinco pontos de Dorte ou o dispensacionalismo dos Irmãos de Plymouth. Na medida em que não entram em contradição com a doutrina bíblica e apostólica, e não negam a salvação dos crentes que não concordam, acreditamos que essas diferenças têm um lugar na mesa ortodoxa e são dignas de respeito. Dentro das diversidades que historicamente existem dentro da igreja cristã ortodoxa, e especialmente das elevadas peculiaridades da comunhão das igrejas evangélicas brasileiras, deveríamos repensar nossa tendência de chamar uma ideia de “heresia” apenas porque não concordamos com ela. A capacidade de distinguir entre “heresia”, ortodoxia e opiniões únicas de uma denominação faz parte da maturidade cristã. Paulo abordou isso quando ensinou sobre guardar o sábado: “Um homem considera um dia acima do outro, outro considera todos os dias da mesma forma. Que todo homem seja totalmente convencido em sua própria mente” (Rm 14.5). Os adventistas do sétimo dia, muitos presbiterianos reformados e alguns batistas têm em comum a guarda do sábado. A diferença é que, embora os presbiterianos e batistas sabatistas acreditem que guardar o sábado é correto, eles não dizem que consequentemente são a única igreja verdadeira, com exclusão de seus irmãos e irmãs em Cristo.

Desde as origens do evangelicalismo britânico, em Oxford, com John Wycliffe nos anos 1370 e John Collet nos 1490, continuando na Reforma Protestante do século 16 com William Tyndale e reformadores continentais como Martin Luther e Huldrich Zwinglio, houve diferenças doutrinárias entre os evangélicos. No entanto, também reconhecemos que nosso compromisso com a fé apostólica e o evangelho de Jesus Cristo significa que, apesar de nossas diferenças, todos os crentes fazem parte do Corpo de Cristo. Um dos teólogos primordiais da história da Igreja, Vicente de Lérins (445 d.C.), escreveu em sua carta O Comonitório: ortodoxia é aquilo que se acredita “em todos os lugares, por todos e em todos os momentos”. Muitas, senão a maioria das doutrinas que hoje dividem os cristãos evangélicos nem existiam durante a vida de Vincent.

No entanto, parte da definição de “heresia” não é apenas que algo é um ensinamento único, mas que é ensinado de tal maneira que divide o Corpo de Cristo. A heresia é 1) a negação de uma doutrina fundamental claramente ensinada nas Escrituras ou a criação de uma doutrina que está em contradição com as Escrituras, que 2) necessariamente divide a Igreja. A palavra “heresia” não significa um “novo ensinamento”, mas uma nova doutrina que necessariamente contradiz a Fé Apostólica e que divide os cristãos. Podemos dizer com confiança:

  • Negar que existe um só Deus eternamente subsistente em três pessoas é heresia.

  • Negar a personalidade do Espírito Santo é heresia.

  • Negar a plena divinidade ou humanidade de Cristo é heresia.

  • Negar a concepção virginal de Cristo é heresia.

  • Negar a ressurreição física de Cristo é heresia.

  • Negar a propiciação expiatória e vigária da morte de Cristo é heresia.

  • Negar a inspiração e autoridade das Escrituras é heresia.

No entanto, existem crenças peculiares aos movimentos evangélicos que não são heresias, apesar do termo frequentemente ser usado contra seus irmãos e irmãs cristãos:

  • Crer no pedobatismo ou no credobatismo não é heresia.

  • Crer que pessoas podem, pelo poder do Espírito, falar em línguas que nunca estudaram não é heresia.

  • Crer que Deus escolheu alguns para serem salvos ou acreditar que a graça de Deus libera a vontade e dá às pessoas a oportunidade e a opção de aceitar ou rejeitar o Evangelho, não são heresia.

  • Crer em um milênio ou não acreditar em um milênio não é heresia.

A acusação de heresia é um algo muito sério, e não deveríamos acusar um irmão ou irmã em Cristo de serem hereges apenas porque não gostamos ou concordamos com algo que afirmaram. O movimento Christian Hall, ao procurar a formação de comunidades que administrem e cultivem a tradição intelectual cristã, reconhecerá e respeitará as diferenças entre as tradições evangélicas, ao mesmo tempo em que optar por construir a unidade baseada no amplo e profundo fundamento expresso nos instrumentos como o Credo Apostólico, o Credo Niceno e as Cinco Solas da Reforma.

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