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Ensino Superior Cristão: Uma Visão Distinta (Parte 1)

David S. Dockery

David S. Dockery

13 Julho, 2020

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Parte I – A condição do ensino superior cristão

Nos dias de hoje, o desafio e a mudança caracterizam o mundo do ensino superior cristão. A faculdade e o corpo docente convivem com uma nova perspectiva global; os estudantes jamais conheceram um mundo sem tecnologia avançada, terrorismo e consciência intercultural. Uma rápida olhada ao redor do globo indicará uma mudança entre as nações que influenciará o mundo nas décadas por vir. Qualquer um, que tenha interesse pelo futuro do ensino superior cristão, desejará manter um olho nas tendências globais e culturais, pois nosso trabalho nunca se desenvolve em um vácuo. 
 
Assim, é esperado que grupos de interesses especiais exerçam pressão para que as instituições de ensino superior se adaptem a questões potencialmente capazes de comprometer a nossa missão. Devemos antever as questões sobre sexualidade, liberdade sexual e uniões homoafetivas que possam impactar o financiamento federal e possíveis questões de credibilidade para algumas instituições privadas relacionadas à igreja. Provavelmente, o direito à contratação será a demanda legal mais importante que as universidades e faculdades cristãs irão enfrentar em um futuro próximo.
 
Essas e outras questões constituem os dilemas inerentes ao fornecimento de uma educação superior cristocêntrica no século XXI, muito mais desafiadoras que antes, e essas observações sequer começam a tratar das mudanças no próprio ensino superior em termos de foco, financiamento, filosofia, metodologia e sistemas de entrega.
 

Compreendendo a educação cristã

O ensino superior cristão envolve um modo de pensamento distinto sobre magistério, aprendizado, conhecimento, temática, vida estudantil, administração e governança que é fundamentado na ortodoxia da fé cristã. O ensino superior cristão distinto não se trata apenas de um cristianismo interior subjetivo e piedoso, por mais importante que isso seja. Os educadores cristãos reconhecem que a fé cristã é mais do que uma fé moral constituída de fervorosas práticas devocionais, pois a fé cristã influencia não apenas a nossa maneira de agir, mas também o que cremos, como pensamos, como ensinamos, como administramos e como nos tratamos mutuamente.
 
Nos dias atuais, é necessário ter uma visão completa, teologicamente moldada, para o ensino superior cristão, que nos auxiliará a engajar a cultura e preparar uma geração de líderes que possam efetivamente servir tanto à igreja quanto à sociedade. Tal abordagem principia com uma compreensão do autorrevelado Deus que criou os seres humanos à Sua imagem. Cremos que alunos criados à imagem de Deus são designados a descobrir a verdade, e que a exploração da verdade é possível porque o universo, como criado pelo Deus Trino, é inteligível.
 
Essas crenças são mantidas juntas devido a nossa compreensão de que a unidade do conhecimento está alicerçada em Jesus Cristo, em quem subsistem todas as coisas (Cl 1.17) e no qual estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento (Cl 2.3). A fé cristã, então, fornece a janela para vermos o mundo, reconhecendo que a fé busca compreender cada dimensão da vida debaixo do senhorio de Jesus Cristo.
 

Aprendendo com aqueles que nos antecederam

Nossos esforços para promover uma educação superior cristã são intensamente moldados por aqueles que vieram antes de nós. Esses inspiradores e suas influências não apenas têm contribuído para a nossa formação, como também refletem aquilo que somos. Será cada vez mais importante para os educadores cristãos, nos dias vindouros, expressar claramente nossos compromissos confessionais e tomar posse, novamente, do melhor da tradição intelectual cristã.
 
A riqueza dessa tradição pode prover orientação para os complexos desafios a serem enfrentados pelo ensino superior cristão nesse período. Cremos que um apelo à tradição não somente é oportuno, mas também atende a uma necessidade importante em função da cultura secular na qual nos encontramos. Essa cultura é, para dizer o mínimo, indiferente à fé cristã, pois o mundo cristão ‒ pelo menos em sua expressão mais popular ‒ tende a ser confuso quanto às suas crenças, herança e tradição .
 
O mundo em que vivemos, com sua ênfase na diversidade e pluralidade, pode muito bem ser um cenário criativo para vermos o que Thomas Oden citou como uma “paleo-ortodoxia” para o século XXI. Aqui, alicerçamos a nossa unidade não somente na confissão bíblica de que “Jesus é Senhor”, mas também na grande tradição confessional oriunda dos conselhos da igreja primitiva. Tais confissões históricas, embora não sejam infalíveis ou plenamente suficientes face a todos os desafios contemporâneos, podem fornecer sabedoria e orientação na busca do equilíbrio entre os preceitos para a crença cristã correta, bem como para o pensamento cristão e o viver cristão corretos.
 
No âmago desse chamado está a necessidade de preparar uma geração de cristãos para pensar de maneira cristã, para engajar a academia e a cultura, para servir a sociedade e para renovar a conexão com a igreja e a sua missão. A fim de lograr isso, a amplitude e a extensão da tradição cristã necessitarão ser reivindicadas, renovadas, revitalizadas e revividas para o bem do ensino superior cristão.
 

Uma visão distinta

Não devemos ser ingênuos quanto aos desafios que serão encontrados ao longo da jornada. Infelizmente, alguns ficarão satisfeitos com o comprometimento mínimo a uma piedade calorosa que encoraje estudos bíblicos no campus, relacionamentos respeitosos e viagens missionárias ocasionais. Decerto, tudo isso deve ser encorajado e aplaudido por nós, mas não como uma visão abrangente para o ensino superior cristão. Algumas dessas atividades podem ser realizadas nos campus de universidades públicas entre organizações paraeclesiásticas. Definitivamente, queremos ver tais coisas acontecendo, porém mais importante é vermos instituições cristocêntricas, preocupadas, em primeiro lugar, com o pensamento cristão e o pensar de maneira cristã, aprendendo a refletir de modo cuidadoso, criativo e crítico, buscando reunir a academia e a cultura. E, ao fazermos isso, precisamos estar conscientes de que alguns na academia, na cultura e na igreja irão questionar a legitimidade desse projeto.
 
O ensino superior cristão não existe primordialmente para sobreviver. A prosperidade ou não dessas instituições possui menos importância do que os seus compromissos com sua missão singular. Nós, portanto, sonhamos com campus cristocêntricos que sejam fiéis ao senhorio de Jesus Cristo, que exemplifiquem o grande mandamento, que busquem a justiça, a misericórdia e o amor, que exibam uma liberdade responsável, que priorizem a adoração e o serviço como propósitos centrais de vida.
 
As instituições cristãs de ensino superior devem buscar o desenvolvimento de comunidades permeadas pela graça, que enfatizem o amor, a alegria, a paz, a paciência, a bondade, a benevolência, a fidelidade, a gentileza e o autocontrole como virtudes necessárias à criação de um contexto de empatia e cuidado. Nesse local, o ensino, graduado ou não, alicerçado na convicção de que toda a verdade possui a sua fonte em Deus, pode ser oferecido em meio a todos os desafios e mudanças que nos cercam.
 
Em suma, esperamos fornecer uma educação cristocêntrica de qualidade que promova a excelência acadêmica e o desenvolvimento do caráter a serviço da igreja, da academia, bem como da cultura e de toda a sociedade.
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